Você evita prejudicar suas aulas quando lida adequadamente com reações típicas da adolescência.
-DESINTERESSE: o jovem está mais preocupado com a roupa que vai usar do que com os presidentes da época da ditadura. Tente saber o que passa pela cabeça dele e contemple em suas aulas as dúvidas que traz sobre sexualidade, por exemplo, por meio de dinâmicas pesquisas e debates. Para não expor ninguém procure conversas particulares. O estudante precisa sentir que a escola satisfaz suas experiências.
-AGRESSIVIDADE: vandalismo e agressões verbais e físicas, por exemplo, podem ser resposta do jovem ao mundo que o ver. Cobranças por bom desempenho escolar e por atitudes maduras geram ansiedade e reações inadequadas, já que ele não se sente apto a atender ás expectativas. Procure saber como é o relacionamento do aluno com os pais e que ideia faz de si mesmo e de seu futuro. Se ele encontra na escola um local para expressar seus pensamentos e descobrir suas aptidões, o nível de ansiedade e a agressividade diminuem.
-ARROGÂNCIA: o adolescente acha que pode tudo. A ideia de que está sempre certo faz com que ele desdenhe do que é dito ou imposto. Em vez de responder á altura, uma boa solução é questioná-lo. Peça que explique o que tem em mente e pergunte porque usou aquele tom de voz. Para responde, ele vai formular os argumentos . Pode ser que reconheça o erro, mas, mesmo se ele mantiver o que disse, já era terá ao menos aprendido a se expressar de forma educada.
-REBELDIA: você sugere á turma a apresentação oral de um conteúdo estudado. Respondem com uma baita "Ah, não!" geralmente é a primeira reação. Os motivos podem ser insegurança ou mesmo uma forma de seu auto-afirmar frente aos colegas. O problema é quando a negação vem de forma brusca. O melhor a fazer, nesse caso, é não entrar no embate já que o jovem testa os mais velhos para ver até onde pode ir. Ao falar o que é necessário e deixar claro o papel de cada um, você conquista o respeito deles pelo bom exemplo.
-RESISTÊNCIA:o jovem quer experimentar tudo, viver tudo, saber de tudo. Só que tem sempre um adulto dizendo o que ele não pode fazer. Mesmo que essas sejam orientações sensatas, é preciso compreender que sensatez ainda não é qualidade que eles valorizam. O adulto é quem impede as coisas que dão prazer. Por isso a resistência ao que vem do professor ou dos pais ( e nisso se inclui o conteúdo escolar). Antes de começar a aula, por que não bater um papo rápido sobre algo que interessa a moçada? Aberto o espaço, os jovens baixam a guarda e percebem que para tudo tem hora.
A NEUROLOGIA EXPLICA
Tudo o que pode parecer estranho no comportamento dos adolescentes tem explicação neurológica. A falta de interesse pelas aulas, por exemplo, é consequência de uma revolução nas sinapses( conexões entres as células cerebrais-os neurônios). Nessa etapa da vida, uma série de alterações ocorre nas estruturas mentais do córtex pré-frontal- área responsável pelo planejamento de longo prazo e pelo controle das emoções , daí a explicação para ações intempestivas e ás vezes irresponsáveis.
Por volta dos 12 ou 13 anos, o cérebro entra num processo de reconstrução. "È o que eu chamo de ´poda´ das sinapses para que outras novas ocupem o seu lugar", afirma o psiquiatra Jorge Alberto da Costa e Silva da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que estuda as alterações na Escola Médica de Nova York. Segundo Silva, o cérebro faz uma limpeza de conexões que não tem mais utilidade-como as surgiram para que a acriança aprendesse a nadar ou a falar, por exemplo- e abre espaço as novas.
Giovana Girardi

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