O planejamento proporciona ao professor uma linha de raciocínio, que direciona-o em suas ações, sendo que a ação docente vai ganhando eficácia na medida em que o professor vai acumulando e enriquecendo experiências ao lidar com situações concretas de ensino, pois segundo Libanêo (1994, p. 225): “O professor serve, de um lado, dos conhecimentos do processo didático e das metodologias específicas das matérias e, de outro, da sua própria experiência prática”. O docente, a cada nova experiência, vai assim criando sua didática, e com isso, enriquecendo sua prática profissional e, também, ganhando mais segurança, sendo que agindo dessa forma, o professor acaba usando o seu planejamento como fonte de oportunidade de reflexão e avaliação da sua prática.
O professor precisa estar preparado, também, para os momentos em que o seu planejamento necessite ser modificado sem que com isso o planejamento perca a sua essência, observando também que planejar não significa alienar-se da realidade dando assim autonomia para que o mesmo adapte o seu planejamento a cada realidade de sala de aula. Mas para que isso aconteça realmente, o professor necessita, cada vez
mais, compreender que o planejamento é uma prática que procura ajudar a sanar problemas de organização de conteúdos e que ele, por si próprio, não é a solução absoluta de todos os problemas que surgirão quanto a organização metodológica, tendo em vista que o planejamento é somente um passo de uma caminhada longa. Como afirma Libanêo (1994, p. 225): “O planejamento não assegura, por si só, o andamento do processo de ensino”.
O importante é salientar que o planejamento sirva para o professor e para os alunos, que ele seja útil e funcional a quem se destina objetivamente, através de uma ação consciente, responsável e libertadora, desconsiderando a noção de planejamento como uma receita pronta, pois sabemos que cada sala de aula é uma realidade diferente, com problemas e soluções diferentes; cabe ao professor, em conjunto com os demais profissionais na área de educação pertencentes a escola, adaptaro seu planejamento, para que assegure o bom desenvolvimento a que ele se propõe, que é o de nortear as práticas docentes em sala de aula. Em alguns determinados momentos os professores mostram-se descrentes, na metodologia do
planejamento.
Segundo Menegola e Sant’Anna (2001, p. 43), alguns professores não simpatizam com o ato
de planejar:
Parece ser uma evidência que muitos professores não gostem e pouco simpatizem em planejar suas atividades escolares. O que se observa é uma clara relutância contra a exigência de elaboração de seus planos.
Há uma certa descrença manifesta nos olhos, na vontade e disposição dos professores, quando convocados para planejamento.
O que acontece com esses profissionais para que mostrem-se desmotivados com a metodologia do planejamento ninguém sabe ao certo, mas acreditamos que seja devido à descrença, pois esses profissionais acreditam que planejar é apenas atender à burocracia escolar, evidenciando a não utilização do que se planeja, pois a partir do momento que não acreditamos nos resultados de nossas ações deixamos de praticá-las da forma que ela está prevista, ou seja, planejamos mas não usamos o planejamento, tendo em
vista que não acreditamos no possível sucesso desta metodologia. Cabe ao professor uma mudança de postura: procurar conhecer melhor as vantagens e desvantagens de usar o planejamento para então, depois, resolver se é ou não viável a utilização dessa metodologia, que encontra-se desacreditada por alguns docentes.
FLEXIBILIDADE EM QUESTÃO
É comum quando ouvimos falar em planejamento, também ouvirmos falar sobre a flexibilidade, que necessita ser uma característica essencial do planejar, mas por outro lado, segundo Vasconcellos (2000, p. 159), há uma questão que precisa ser levada em considerarão pelo planejador: Estamos aqui correndo o risco de duas tentações extremas: de um lado, o planejamento se tornar o tirano da ação, ou de outro, se tornar um simples registro, um jogo de palavras desligado da prática efetiva do professor.
Segundo Vasconcellos (2000), observamos que ao planejar corremos dois grandes riscos: de ficarmos presos ligados ao extremo no planejamento, alienando-nos da realidade, tornando-nos tiranos da ação. Já por outro lado, também corremos o risco de sermos flexíveis aos extremos, perdendo assim a essência do planejamento, deixando que essa metodologia torne-se algo banal, ou seja, um simples registro, um jogo de palavras totalmente desligados da prática do educador em sala de aula.
Vasconcellos (2000, p. 159) procura atentar-nos para um ponto muito importante: Precisamos distinguir a flexibilidade de frouxidão: é certo que o projeto não pode se tornar uma camisa de força, obrigando o professor a realizá-lo mesmo que as circunstâncias tenham mudado radicalmente, mas isto também não pode significar que por qualquer coisa o professor estará desprezando o que foi planejado.
O planejamento não pode ser colocado, como diz Vasconcellos, como uma camisa de força, que aprisiona quem a veste, mas, por outro lado, a frouxidão das ações, também não pode ser encarada como um fator positivo, pois pode colocar o planejamento em uma posição ridicularizada, fazendo com que ele perca a sua credibilidade, que arranha ainda mais a imagem de uma prática, que para alguns professores já nasce fadada ao descrédito.
Uma coisa é certa, em qualquer momento, alguma das ações previstas pelo planejamento não serão concretizadas mas, saibamos que isto ficará por conta de fatores adversos, que são difíceis de serem previstos, ou seja, significa que se algo não for realizado como estava previsto no planejamento, uma explicação lógica para a sua não realização deverá partir do professor para justificar a tal mudança.
O mais importante deve ser a postura de comprometimento que o professor deverá assumir, visando a prevenção de uma possível acomodação, já que o planejamento pode assumir uma postura flexível em alguns raros momentos.