Um dos primeiros contatos que o ser humano tem com o mundo exterior é quando, ao nascer, ele abre os olhos pela primeira vez. Com a visão, obtemos uma grande quantidade de informações em tempo extremamente curto. Ela é fonte de aprendizagem, de desenvolvimento, de prazer. É também fundamental para garantir o nosso direito de ir e vir. A quantidade de visão limita inclusive o universo de escolhas e dos desempenhos profissionais e é o sentido humano que permite, mas rapidamente, a aprendizagem de informações, e, segundo pesquisas, cerca de 85% das informações que recebemos diariamente é absorvida através dela.
Nas crianças com baixa visão, lembrando que há diferentes níveis de perda de visão, o processo de aprendizagem deve ser especialmente cuidado, porque esta é a fase primordial para a aquisição e formação do desenvolvimento humano. São consideradas importantíssimas nessa fase a relação de maturação neurológica, o meio ambiente e as relações afetivas e emocionais. Nesse processo, o sentido da visão fornece a criança a percepção rápida e imediata das informações e é um grande integrador destas, que chegam imediatamente ao cérebro e constroem o conhecimento da criança e do mundo.
As crianças com baixa visão tem alterada a sua forma de perceber-se e relacionar-se com as pessoas, de perceber-se e relacionar-se com ele. A redução visual interfere como a pessoa percebe a si mesma, seu corpo no espaço e no próprio ambiente ao seu redor. Com a perda parcial da visão, ocorrerá uma nova organização sensorial, na qual os demais sentidos irão tornar-se referência preponderante na percepção.
Nas relações interpessoais, as expressões faciais e as dicas corporais constituem elementos importantes na comunicação e contato. As pessoas com baixa visão vêem parcialmente e têm grande dificuldade de ver detalhes e praticamente percebem só contornos a longa e meia distancia. Esta redução de contato visual poderá despertar diversos sentimentos, tais como: sentir-se sem interlocutor ou inseguro com relação ás reações do outro, se apreciam ou não o que está sendo dito, se entendem ou não, entre outros.
Na família e na escola, é muito importante estimular e incentivar a criança a reconhecer suas potencialidades, mecanismos adaptativos e habilidades para lidar com as perdas ocasionadas pela deficiência. Deve-se procurar ao máximo oferecer um ambiente que provoque a curiosidade dela e que propicie o conhecimento e inter-relacionamento constante com objetos, pessoas e ambientes diversos. Incentive-a nos usos das linguagens corporal e oral contextualizadas com o ambiente, de uma maneira lúdica e divertida, propiciando aprendizagem e desenvolvimento de forma natural e com significação.
Não evite falar sobre a perda e sobre a deficiência em si. É um engano pensar que a criança não sente ou não percebe o que ocorre com ela. Aborde sempre o assunto de maneira objetiva, ressaltando as possibilidades que ela virá a ter em seu desenvolvimento.
Rita Helena Costa Lobo
Psicóloga pela PUC-SP
Especialista em Neuropsicologia pela UNIFESP
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